quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Boot





Ao vermos uma bota moderna de escalada para neve, como esta ao lado, temos uma idéia de um esporte caro e complexo। Quando comecei, os montanhistas mais velhos ainda usavam botas adaptadas, não usavam solado especial e, mais interessante, usavam...alpargata roda!



Era um sapato de lona fina e solado de corda trançada। Estas alpargatas eram amarradas com cadarço e calçadas com uma meia. Resistiam ao esforço na pedra, tinham ótima aderência (caso a pedra não estivesse molhada de orvalho ou de chuva). Duravam umas três escaladas no máximo, depois viravam chinelo. Em clima frio com pedra molhada era complicado, o escorregão era certo, o jeito era fazer mais trabalho de braço.

As coisas que fazemos, que usamos, as rotinas do dia, os objetos, mais que extensões do homem e fruto de sua criatividade, tem um aspecto prático. Mesmo esta praticidade é transitória pelo progresso e busca tecnológica. As alpargatas foram aos poucos substituídas por solados que importávamos , depois por botas e, hoje em dia, por tênis extremamente mais leves, mas o princípio era e o de é o de boa aderência.

Em educação, me pergunto sempre qual o princípio que norteia uma boa aula ou um trabalho? Creio que é o princípio da roda da fogueira, onde, de forma lúdica, comentários e histórias viram ensinamentos pelos que conseguem e querem absorver। Mas para que esta apreensão aconteça, tem existir um bom contador. Creio que o princípio da educação é a recepção de uma boa história. Quanto melhor a história, melhor a aula.


Bom dia a todos!

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Hiking - Agulhinha de Inhangá




A primeira vez que tive contato com a montanha foi algo muito especial. Por incrível que pareça, foi na Agulhinha de Inhangá, Copacabana, nos anos 60. Mais exatamente, no ano da Redentora, 1964. Tínhamos de fazer uma escolha: equitação e montanhismo. Não havia muita colaboração dos cavalos ou éramos muito grossos e a escolha foi fácil: montanhismo.

O mais importante da escalada foi uma passada de uma face da pedra para o outro lado, onde se tinha de dar um passo totalmente no escuro e “cair” com o pé no ressalto correto. Caso não alcançássemos o ressalto, o tombo era certo, embora estivéssemos encordados. O outro ponto muito interessante para perder o medo, foi o retorno quando, já no rapel, um amigo me empurrou e voei para fora do paredão tendo ao meu pé toda Copacabana. Indescritível!

A partir daí, ficou fácil peitarmos certas montanhas: planejamento e braço. Educação não é muito diferente. Educação na Internet, especialmente produção de aulas, tem esta característica. Quando começamos, em 1998, computação tinha algo de misterioso e tudo era muito complicado. Hoje os meios de produção podem ser extremamente facilitados, mas tem a questão do braço.

E como se resolve isso? Só há um meio: trabalhando. Planejando todas as aulas e produzindo conteúdo, selecionando imagens, links de sites e vídeos, criando pontos de interatividade com o leitor, em geral um jovem que não sabe bem porque está estudando aquele material. Para simplificar: colocando as aulas em fila e resolvendo. Como são muitas, 928 no 2° segmento do fundamental e 880 no Ensino Médio, o jeito é colocar em fila e partir para a finalização. Como uma escalada!

Uma amiga me perguntou o que gostava mais. Disse que era de terminar o trabalho e ganhar o dinheiro. Tinha minhas razões. Ela mencionou o caminho. Estava certa.

Um caminho de uma escalada é sempre muito agradável, por mais que a mochila pese e você esteja ligado em chegar ao pé da montanha, uma certa ansiedade. Com o tempo, esta sensação de cessa, você passa a curtir a caminhada. A partir daí, é prazer.

E o que resulta de uma escalada: a história que você pode contar.

Um bom dia a todos.

domingo, 5 de agosto de 2007

Diários de Navegação: Educação na Internet


Imagine um projeto de educação na Internet. Somente o Ensino Médio tem 880 aulas. O Ensino Fundamental, somente o segmento de 6ª série à 9ª, tem cerca de 920 aulas. Parece algo como escalar o Himalaia. Como já conhecemos este andar da carruagem, vamos comentar esta escalada.
Já estamos em preparativos há uns 10 anos, agora é edição final. Três equipes se passaram, desistiram no meio do caminho, mas estamos na quarta equipe e com material e tecnologia suficiente.
Muitas coisas aconteceram: safenas, câncer diagnosticado e operado, rugas a mais, barba branca e muita experiência adquirida. Agora é calçar as botas, checar o equipamento e subir...contando este conto.
Como este é um diário de bordo, vamos aproveitar e narrar esta viagem. Um dia acaba com a última aula!